OS PRIMÓRDIOS DO TERMALISMO: OS BALNEÁRIOS CASTREJOS E O SEU POTENCIAL TURISTICO

Autores

  • Maria de Fátima Matos da Silva

Palavras-chave:

balneários castrejos, pedras formosas, simbolismo, potencial turístico.

Resumo

Contextualizamos em breve referência a evolução cronológica da cultura castreja da
Idade do Ferro, do noroeste peninsular, bem como a dos balneários-sauna. Estes são
monumentos com forno, do tipo construção hipogeia, com uma arquitetura original,
complexa e, apesar de possuírem alguma uniformidade construtiva, apresentam uma
variedade arquitetónica significativa, associada provavelmente a diversos modelos
termais. São conhecidos cerca de três dezenas, distribuídos por uma área geográfica que
abrange o norte da Galiza e Astúrias e que se prolonga até à margem sul do rio Douro.
A arquitetura complexa destes monumentos organiza-se estruturalmente de forma a
possibilitar banhos de água fria e banhos de tipo sauna, efetuados através da produção
do vapor, sendo compostos por um átrio e uma antecâmara, ao ar livre e uma câmara e
uma fornalha hipogeia, ambas cobertas. As duas áreas são divididas por uma estela
tectiforme, monolítica, normalmente ornamentada, que separa uma zona da outra
permitindo a entrada por uma pequena abertura em semicírculo – a pedra formosa.
A sua funcionalidade gerou, ao longo dos tempos, diversas publicações fruto da grande
diversidade interpretativa, sendo a função balnear a mais consensual. Contudo, o papel
simbólico que teriam no seio da sociedade da Idade do Ferro permanece envolto em
grande misticismo, associado ao culto das águas e à sacralidade do banho purificador
medicinal potenciando ainda diversa investigação. Estes monumentos, sem dúvida, os
mais antigos balneários desta área geográfica, percursores do termalismo actual,
possuem, um grande potencial turístico que urge desenvolver pelo que sugerimos a
criação de um roteiro turístico-cultural.

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Publicado

2017-12-27

Como Citar

Silva, M. de F. M. da. (2017). OS PRIMÓRDIOS DO TERMALISMO: OS BALNEÁRIOS CASTREJOS E O SEU POTENCIAL TURISTICO. Tourism and Hospitality International Journal, 9(2). Obtido de http://thijournal.isce.pt/index.php/THIJ/article/view/203